Diferenças entre Psicoterapia Online e Presencial

Uma das perguntas que frequentes de quem está pensando em começar terapia online pela primeira vez é: “mas dá pra criar um vínculo de verdade pela tela?” É uma dúvida legítima, e a resposta não é um simples sim ou não. Depende de alguns fatores, e vale a pena pensar sobre eles antes de decidir qual formato faz mais sentido pra você.

O vínculo terapêutico é diferente no online?

Pode ser, pode não ser, depende. Existem pesquisas mostrando que processos terapêuticos online podem ser tão efetivos quanto os presenciais para boa parte das questões que levam alguém à terapia, mas isso não significa que seja igual para todo mundo. Algumas pessoas se sentem mais à vontade justamente por estarem no próprio espaço, sem ter de ir a um consultório, e isso facilita abrir o que precisa ser trazido. Outras sentem falta do encontro físico, do ambiente do consultório que também foi construído todo pensado em acolher o momento da sessão. Lembro de quando, na pandemia de Covid-19, em 2020, algumas pessoas que eram atendidas presencialmente e precisaram migrar para o online no período de isolamento, relatavam sentir saudades dos atendimentos na Revoar, da recepção da clínica com musiquinha ambiente, do cheirinho de óleos essenciais no ar. Outros se adaptaram tanto ao formato online que não quiseram retornar ao presencial mesmo depois que o isolamento devido a pandemia terminou. Assim como algumas pessoas sentem que é mais difícil construir confiança através de uma tela, e outras não.

Também depende do caso, e da demanda terapêutica de cada pessoa. Cada processo é único, assim como cada pessoa. Uma das características do trabalho a partir da Psicologia Corporal e da Análise Bioenergética, é que é uma abordagem que lê muito do que o corpo comunica: na respiração, na postura, no movimento, na voz. E isso funciona plenamente à distância. No online, é possível orientar como fazer alguns exercícios corporais terapêuticos, e cada pessoa os realizar de onde estiver, com seu próprio corpo. O encontro físico é uma experiência diferente, mas não é um pré-requisito pra esse trabalho acontecer com profundidade.

Também existem sim diversas situações específicas em que o presencial pode fazer mais sentido. No atendimento infantil, por exemplo, a criança precisa mais da presença física do adulto sem mediação de tela, e do espaço lúdico do consultório. Mas isso é uma demanda pontual, que também se aplica a outros casos, mas não uma regra geral de que terapia corporal “precisaria ser presencial”.

Então, se a dúvida é se o vínculo “vai funcionar” pela tela, ou se o trabalho corporal “funciona” à distância: na minha experiência clínica, o que mais define isso não é o formato em si, mas a regularidade, o comprometimento com o processo e a demanda específica de cada caso. Tem gente que vai construir um vínculo profundo online; tem gente que vai precisar do presencial pra se sentir segura o suficiente pra se abrir. Não existe certo ou errado aqui, existe o que faz sentido pro seu momento.

E as diferenças mais práticas do dia a dia?

Aqui os fatores são mais concretos, mas ainda assim dependem do contexto de cada pessoa, não são regra geral. A vantagem de eliminar o deslocamento, por exemplo, só é real quando o consultório presencial não é de fácil acesso. Se ele fica perto de casa, do trabalho, ou de algum lugar que você já frequenta, essa diferença praticamente desaparece, e a escolha passa a depender de outros fatores.

A questão do ambiente é parecida. Fazer sessão do seu próprio espaço ajuda muita gente a se sentir mais à vontade, mas só quando existe, de fato, um lugar privado, sem risco de interrupção. Pra quem mora em casa com muita gente, divide quarto ou apartamento, ou simplesmente não tem um cantinho ou momento reservado em casa para realizar a sessão, isso não é uma vantagem, pode ser o contrário. Nesses casos, o consultório, um espaço pensado pra realizar a sessão, costuma ser a opção mais adequada. Não por preferência, mas por necessidade prática mesmo.

Outra diferença real é o alcance: online, é possível ser atendida por profissionais de qualquer lugar do Brasil, mesmo que não estejam na sua cidade, o que amplia bastante o acesso a abordagens mais específicas, como a Análise Bioenergética, que ainda não é tão comum em todo canto. Esse alcance vai além das fronteiras do país: pacientes brasileiras e brasileiros que moram fora do Brasil ou estão fora por um tempo, e que muitas vezes não teriam acesso a uma psicóloga brasileira na cidade que estão morando, que entenda seu idioma e cultura de origem, também podem ser atendidos online, como prevê a regulamentação do CFP. Mais uma vez, é uma questão de caso a caso, mas que a modalidade online torna possível.

Presença é sobre conexão, não sobre onde você está

As duas modalidades seguem os mesmos princípios éticos e a mesma responsabilidade clínica, isso é regulamentado pelo Conselho Federal de Psicologia e não muda de acordo com o formato.

Mas tem algo mais profundo por trás disso: presença não é só estar fisicamente no mesmo espaço que alguém. Presença é estar com o próprio corpo, com a respiração, com o que se sente, no encontro com o outro. Encontro não é simplesmente físico, é abertura ao outro. E isso acontece no consultório, em casa, e também através de uma tela. Em qualquer um desses lugares, você está sempre consigo mesma, no seu corpo, e é esse encontro consigo que sustenta o encontro com quem te acompanha no processo, e que a terapia corporal tanto convida. Por isso o momento de uma sessão não é apenas um encontro com a terapeuta que te atende, mas também um encontro consigo mesmo.

Sobre o vínculo terapêutico, esse também não se mede por distância física, mas por qualidade de presença. O que muda entre online e presencial é o contexto: onde você está na vida agora, o que te deixa mais confortável, o que é logisticamente possível, o que funciona melhor pro seu caso. A presença, essa você carrega com você, esteja onde estiver.

Se ainda assim, ficam dúvidas sobre qual formato faz mais sentido pro seu momento, talvez seja o caso de experimentar e sentir, mais do que tentar adivinhar. Se necessário, é só chamar para conversar ou deixar um comentário, que te respondemos!

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Isi Meira

Especialista em Psicologia Clínica desde 2018, atua como Psicoterapeuta Corporal, com foco em Análise Bioenergética.
Mestre em Psicologia (UFPE, 2019).

Atendimento Psicológico Online para Adolescentes e Adultos e também presencial, no Espaço Revoar, clínica onde é Sócia Co-Fundadora (Recife, BR).

Saúde Psicológica e Emocional através da conexão com o Corpo

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